{"id":1298,"date":"2021-08-30T11:50:28","date_gmt":"2021-08-30T11:50:28","guid":{"rendered":"https:\/\/interaudit.com.br\/?p=1298"},"modified":"2021-08-30T11:50:31","modified_gmt":"2021-08-30T11:50:31","slug":"receita-federal-exclui-icms-destacado-na-nota-fiscal-da-apuracao-dos-creditos-do-pis-cofins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/interaudit.com.br\/index.php\/2021\/08\/30\/receita-federal-exclui-icms-destacado-na-nota-fiscal-da-apuracao-dos-creditos-do-pis-cofins\/","title":{"rendered":"Receita Federal exclui ICMS destacado na nota fiscal da apura\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos do PIS\/Cofins"},"content":{"rendered":"\n<p>Na apura\u00e7\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/Cofins a compensar e incidente sobre a venda, o valor do ICMS destacado na nota fiscal deve ser exclu\u00eddo da base de c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na apura\u00e7\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/Cofins a compensar&nbsp;e incidente sobre a venda, o valor do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Presta\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/icms\/\">(ICMS)<\/a>&nbsp;destacado na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/nota_fiscal\/\">nota fiscal<\/a>&nbsp;deve ser exclu\u00eddo da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/base_de_calculo\/\">base de c\u00e1lculo,<\/a>&nbsp;visto que n\u00e3o comp\u00f5e o pre\u00e7o da mercadoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa foi a conclus\u00e3o da Solu\u00e7\u00e3o de Consulta 10 Cosit da Receita Federal sobre o regime de apura\u00e7\u00e3o n\u00e3o cumulativa das contribui\u00e7\u00f5es do PIS\/Cofins.<\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2021-mai-13\/exclusao-icms-base-calculo-piscofins-vale-partir-2017\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Recurso Extraordin\u00e1rio 574.706<\/a>&nbsp;(Tema 69 de Repercuss\u00e3o Geral), concluiu que o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/icms\/\">ICMS<\/a>&nbsp;n\u00e3o comp\u00f5e a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/base_de_calculo\/\">base de c\u00e1lculo<\/a>&nbsp;para incid\u00eancia do PIS\/Cofins.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, foi feita consulta da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil procurando verificar como se dar\u00e1 a apura\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos do PIS\/Cofins no regime n\u00e3o cumulativo.<\/p>\n\n\n\n<p>O parecer afirmou que a n\u00e3o cumulatividade pode ser obtida de duas formas: sistema de tributo contra tributo ou sistema de base contra base. Para a contribui\u00e7\u00e3o do PIS\/Cofins foi adotado o sistema de base contra base.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nesse m\u00e9todo, para apurar o valor do cr\u00e9dito da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/cofins\/\">Cofins<\/a>&nbsp;a ser descontado, o contribuinte aplicar\u00e1, sobre a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/base_de_calculo\/\">base de c\u00e1lculo<\/a>&nbsp;dos cr\u00e9ditos, a al\u00edquota da n\u00e3o cumulatividade, ou seja 7,6%. Tal al\u00edquota independe de o adquirente ter comprado o produto de uma pessoa jur\u00eddica sujeita \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es no regime cumulativo&nbsp;\u2014 ou seja, que apurou a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/cofins\/\">Cofins<\/a>&nbsp;a pagar mediante a aplica\u00e7\u00e3o da al\u00edquota de 3%&nbsp;\u2014 ou comprado de uma pessoa jur\u00eddica sujeita ao regime n\u00e3o cumulativo, que apura a contribui\u00e7\u00e3o mediante a al\u00edquota de 7,6%&#8221;, continuou o parecer.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a coordena\u00e7\u00e3o-geral de tributa\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo de base contra base, o valor sobre o qual a pessoa jur\u00eddica compradora aplicar\u00e1 a al\u00edquota de 7,6% para apura\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/cofins\/\">Cofins,<\/a>&nbsp;atendendo a regra da n\u00e3o cumulatividade, ser\u00e1 o mesmo valor que serviu de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/base_de_calculo\/\">base de c\u00e1lculo<\/a>&nbsp;para apura\u00e7\u00e3o da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/cofins\/\">Cofins<\/a>&nbsp;pelo vendedor&nbsp;\u2014 ou seja, o valor da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/nota_fiscal\/\">nota fiscal<\/a>&nbsp;deduzido do valor do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/icms\/\">ICMS<\/a>&nbsp;destacado, visto que esse imposto, conforme a decis\u00e3o do STF, n\u00e3o integra o pre\u00e7o do produto e, consequentemente, n\u00e3o integra o faturamento do vendedor nem o valor de aquisi\u00e7\u00e3o do comprador.<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o de consulta ressaltou que, se for admitida a manuten\u00e7\u00e3o do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/icms\/\">ICMS<\/a>&nbsp;no valor de aquisi\u00e7\u00e3o de bens que d\u00e3o direito a cr\u00e9dito, haver\u00e1 um &#8220;completo desvirtuamento da n\u00e3o cumulatividade do PIS\/Cofins, esvaziando a arrecada\u00e7\u00e3o. Em situa\u00e7\u00e3o limite, considerando as margens de agrega\u00e7\u00e3o na cadeia de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de determinado produto, \u00e9 poss\u00edvel chegar-se a saldo l\u00edquido negativo das contribui\u00e7\u00f5es ao final da cadeia. Ou seja, a atividade econ\u00f4mica ser\u00e1 subsidiada pela Uni\u00e3o com valores retirados da Seguridade Social&#8221;, disse o parecer.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Logo, a tese de que, na apura\u00e7\u00e3o da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/Pasep e da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/cofins\/\">Cofins<\/a>&nbsp;a pagar, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/icms\/\">ICMS<\/a>&nbsp;integra o valor de aquisi\u00e7\u00e3o de bens que geram direito a cr\u00e9ditos est\u00e1 em total desacordo com o Princ\u00edpio da Razoabilidade, visto que amea\u00e7a duas das principais fontes para o financiamento da seguridade social, tirando a coer\u00eancia do arcabou\u00e7o constitucional criado para esse fim&#8221;, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Turbul\u00eancia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Para o advogado Alessandro Mendes Cardoso, ap\u00f3s o julgamento do RE 574.706 era grande a expectativa das empresas sobre como a Receita iria tratar o c\u00e1lculo dos cr\u00e9ditos de PIS\/Cofins. O Parecer Cosit 10 confirma o temor de que o \u00f3rg\u00e3o iria entender pela exclus\u00e3o do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/icms\/\">ICMS<\/a>&nbsp;tamb\u00e9m do c\u00e1lculo do cr\u00e9dito n\u00e3o-cumulativo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esse posicionamento traz grande inseguran\u00e7a jur\u00eddica e inicia nova controv\u00e9rsia entre Fisco e contribuintes, sobre esse tema que se esperava finalizado. Entendemos equivocado o posicionamento, j\u00e1 que a legisla\u00e7\u00e3o determina o sistema de c\u00e1lculo de base sobre base para o PIS\/Cofins, de forma que o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/icms\/\">ICMS<\/a>&nbsp;comp\u00f5e o custo de aquisi\u00e7\u00e3o, devendo ser considerado para o c\u00e1lculo do cr\u00e9dito cumulativo&#8221;, opina.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A sua exclus\u00e3o desse c\u00e1lculo somente pode ser dar por altera\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o e n\u00e3o por mero exerc\u00edcio interpretativo da RFB. N\u00e3o se trata de quest\u00e3o de razoabilidade, conforme defende o parecer, e sim de legalidade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma avalia\u00e7\u00e3o foi feita pelo tributarista&nbsp;Breno Dias de Paula. \u201cMais uma vez o ativismo fazend\u00e1rio querendo se sobrepor a autoridade da coisa julgada do Poder Judici\u00e1rio. O Parecer Cosit 10 insiste em restringir o alcance da decis\u00e3o judicial. A restri\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito \u00e0 compensar n\u00e3o pode ser feito por interpreta\u00e7\u00e3o restritiva da Receita Federal. Eventual mudan\u00e7a somente por lei. O Supremo delimitou o alcance do conceito constitucional de faturamento e todos devem obedecer, inclusive a Receita Federal\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Matheus Bueno, advogado, mestre pela Universidade de Georgetown e membro do comit\u00ea acad\u00eamico do curso de especializa\u00e7\u00e3o em Direito Tribut\u00e1rio Internacional do Instituto Brasileiro de Direito Tribut\u00e1rio, explicou que no sistema base contra base o valor agregado onerado pelo tributo \u00e9 aferido mediante a observa\u00e7\u00e3o daquilo que foi contribu\u00eddo na cadeia pelo pr\u00f3prio contribuinte, incluindo basicamente seus custos de m\u00e3o de obra, encargos correlatos e margem de lucro. Difere-se do m\u00e9todo imposto contra imposto, que, tal qual no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/icms\/\">ICMS<\/a>&nbsp;e no IPI, confere apenas o cr\u00e9dito destacado em documentos de compra.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o especialista, embora assuma que as contribui\u00e7\u00f5es PIS\/Cofins buscam o valor agregado no m\u00e9todo base contra base, o fisco preocupa-se em identificar qual valor foi onerado no fornecedor, misturando aqui esse m\u00e9todo com o de imposto contra imposto. Nunca importou o montante oferecido \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o pelo fornecedor. Basta se perseguir o que foi efetivamente agregado pelo contribuinte, o que n\u00e3o deveria ser alterado pela base ou al\u00edquota daquele primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAinda que o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/icms\/\">ICMS<\/a>&nbsp;n\u00e3o tenha sido computado na base de PIS\/Cofins do fornecedor, o imposto n\u00e3o faz parte do valor agregado pelo contribuinte adquirente do bem e, portanto, deve sim estar na base de cr\u00e9ditos, porque n\u00e3o se trata de identificar o custo de aquisi\u00e7\u00e3o apenas, mas a margem de contribui\u00e7\u00e3o. Por fim, a interpreta\u00e7\u00e3o da Cosit nunca foi validada pelo judici\u00e1rio, como se tenta indicar na opini\u00e3o\u201d, ressaltou.<\/p>\n\n\n\n<p>Alessandro Mendes Cardoso, s\u00f3cio do Rolim Advogados entende que a Receita defendeu que a mesma base sobre a qual se apura o d\u00e9bito do PIS\/Cofins, deve ser utilizada para a apura\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, na sistem\u00e1tica n\u00e3o-cumulativa e n\u00e3o poderia haver diferencia\u00e7\u00e3o entre essas bases. Mas, o valor da aquisi\u00e7\u00e3o dos bens e servi\u00e7os \u00e9 acrescido do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/icms\/\">ICMS,<\/a>&nbsp;que por isso deve compor a base do cr\u00e9dito.&nbsp;Para que o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/tributario\/icms\/\">ICMS<\/a>&nbsp;seja exclu\u00eddo do c\u00e1lculo do cr\u00e9dito do PIS\/Cofins, as Leis 10.637\/02 e 10.833\/03 devem ser alteradas&nbsp;para<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:&nbsp;<em>Revista Consultor Juridico<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na apura\u00e7\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/Cofins a compensar e incidente sobre a venda, o valor do ICMS destacado na nota fiscal deve ser exclu\u00eddo da base de c\u00e1lculo. 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